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MEMÓRIA ROHDENManda-me, Senhor, por todos os teus mundos, Pelas muitas moradas que há na casa do Pai Celeste!... Huberto Rohden |
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Pausa para uma Celebração-115 anos do nascimento de Huberto RohdenPAUSA PARA UMA CELEBRAÇÃO 115 anos do nascimento de Huberto Rohden
Ele nasceu na antevéspera de 1894, em meio ao tempo de festas e o eco dos sinos de natal no mundo. Apareceu no cenário da família de João Rohden e Ana Locks, descendente de alemães, ocupando mais ou menos o meio da série de 14 irmãos. Na pia batismal da igreja de São Ludgero, Santa Catarina, o forte pimpolho recebeu o nome de Huberto Rohden. Passou a primeira infância, protegido no ninho paterno e com a inocência de menino de roça. Mal sabia ele que estava vivendo o ocaso do século XIX. Um novo século começou ao completar seis anos. Todo o seu mundo de menino de roça estava na fazenda de criação de gado de seus pais onde brincava com pássaros, lagartas e borboletas. E graças ao seu amor pela natureza, seu fascínio pelas borboletas, sua vida tomou um rumo diferente dos companheiros de infância. Um sacerdote o instruiu e guiou seus passos para o sacerdócio. Era momento de dar adeus ao ninho paterno e partir ao encontro de um mundo novo que surgia. Uma alvorada despontava no horizonte daquele menino que saía do seio da família que o fez para conquistar uma imensa família que ele faria. Foi crescendo, crescendo em sabedoria e genialidade... Levou a sério esta tarefa de pastor de almas e quis ir a fundo na doutrina da igreja. Foi conferir os livros sacros nos originais hebraicos, gregos, latinos e na própria experiência mística que lhe revelava o silêncio da alma. Tornou-se escritor, palestrante e viajante por este imenso Brasil. Compreendido por uns - criticado por outros; os grandes admiradores o apoiavam e o incentivavam; os outros apegados às muletas tradicionais o censuravam. Seus vôos estratosféricos o fizeram deixar o clero e dedicar-se à filosofia – como livre pensador. Matematicamente falando, sempre no bom combate, ele percorreu quatro quintos do século XX Assistiu grandes transformações políticas, tecnológicas, cientificas, psicológicas, filosóficas... Foi contemporâneo de verdadeiros gigantes da ciência como Einstein e Teilhard de Chardin... Gigantes da espiritualidade como Mahatma Gandhi, Paramahansa Yogananda, Ramana Maharishi, Albert Schweitzer, Joel Goldsmith e outros. É sabido que - quase todas as nossas ideologias teológicas nasceram séculos atrás, a maior parte na Idade média, e o seu conteúdo eterno não era até então revestido de uma roupagem que um homem pensante e espiritual da Era Atômica e Cosmonáutica possa aceitar. Nos séculos pretéritos, a humanidade quase nada sabia de certo sobre o universo e sobre o homem; e, como Deus só é conhecido através do universo e do homem, a ignorância do mundo e do homem gerava a ignorância sobre Deus. O universo era geocêntrico, tendo por centro a nossa Terra, e o homem era egocêntrico, tendo como realidade central o seu ego. Sabemos hoje que nem o nosso sistema solar (e menos ainda o cosmos) tem por eixo central o planeta terra, nem a natureza humana tem por foco real o nosso ego personal. Urgia, pois reconstruir os nossos conhecimentos espirituais sobre uma base real, verdadeira e certa. Assim como a luz do Evangelho, mais uma vez a luz veio do oriente. A invasão da ioga trazida por grandes mensageiros como Yogananda trouxe esclarecimentos para o retorno ao Cristo e seu Evangelho. Fazendo esse consórcio entre o cristianismo, a psicologia do ocidente e a filosofia do oriente Rohden formulou a sua Filosofia Univérsica. Ainda, em suas viagens pela Europa e Estados Unidos, Rohden constatou a crescente manifestação pelo “retorno ao Cristo do Evangelho” – isto é, um salto de quase 17 séculos, a fim de reatar o fio da autêntica e integral mensagem crística, lá onde esse fio foi roto, em princípios do quarto século. Descobriu nos movimentos New Thought, Self-Realization, New Outlook, Neugeist uma grande tentativa de ressuscitar o cristianismo do Evangelho e o Cristianismo das Catacumbas. Viu que não caminhava só... Outros pioneiros também avançavam na verdade crística. Para difundir esse ideal Huberto Rohden fundou a instituição Alvorada – Centro de Auto-realização. No sentido físico, alvorada é o alvor que, no horizonte oriental, precede o nascer-do-sol. No sentido metafísico, espiritual, Alvorada é o despontar da luz celeste, da luz cósmica, da luz crística, em muitas almas humanas. Huberto Rohden partiu desse mundo em outubro de 1981 e deixou-nos uma herança: a chave para o reconhecimento da Alvorada que desponta em nossos corações. E esta chave está ao nosso alcance. Espalhados em vários locais do Brasil e de Portugal há pessoas que redescobrem esse alvor... Prenúncio de novos tempos... Por todo o mundo há mensageiros da luz verdadeira que se conduzem ajudando a manter acesa essa luz. E, com certeza, lá das alturas, este homem que nasceu há 115 anos continua regendo sua sinfonia inacabada e vislumbrando eternas alvoradas. Celebrando o dia 30 de dezembro de 2008 – 115 anos de nascimento - façamos um minuto de silêncio físico, mental e emocional.
Quis a Providência enviar ao mundo há 115 anos atrás, menos de uma semana após o natal de Jesus, no ocaso do século XIX, um menino de Santa Catarina que na pia batismal recebeu o nome de Huberto Rohden. Poucas pessoas no mundo puderam viver um final de século, atravessar todas as fases da existência humana: infância, mocidade e velhice, assistir e participar dos acontecimentos por quase todo o novo século. Foram quase 88 anos de vida. Incrível verificar que na fase octogenária, seu espírito primaveril desconhecia a decrepitude senil. Toda a trajetória do menino Huberto é descrita em sua autobiografia “Por um Ideal”.
De uma família numerosa de emigrantes alemães...- os Rohden parece que estavam interessados em povoar o Brasil com seus numerosos descendentes... - este menino especial já cedo destoou dos irmãos ao optar por uma vida de serviço a Deus, tornando-se sacerdote. Como sacerdote, destoou também dos colegas ao avançar na doutrina que ainda trazia os traços de eras remotas, desconhecendo os avanços do conhecimento humano. Desde cedo intuiu que havia alguma coisa a ser retificada. Esse menino teve uma grande importância para o mundo, nessa época de tantos avanços científicos e tantos conflitos mundiais.
Era preciso retornar ao Cristo do Evangelho. Aqui entra o papel do menino, agora adulto, Huberto Rohden. Tudo na vida de Rohden girou em torno deste ideal: De sacerdote batalhador para filósofo, livre pensador, escritor, conferencista, estudioso das grandes religiões orientais, e ainda nas horas vagas, jardineiro, apicultor, carpinteiro, pedreiro... Inacreditável! . Um homem comum se agarra freneticamente à muleta dos muitos, no tempo e no espaço, mas esse homem foi pioneiro de ínvias florestas e de mares nunca antes navegados. Quem lê o livro “Por Um ideal” há de compreender melhor estas breves linhas. Este livro é uma autobiografia. Há também o livro: “Luzes e sombras da Alvorada” - contado por este idôneo escritor sobre experiências inéditas de sua rica vida. Poucas pessoas poderiam declarar como ele, ao sentir a proximidade de sua partida deste mundo: “Eu vivi quase 88 anos... estou pronto para partir...” Íris Helena Gomes
MEMORIAL HUBERTO ROHDENMEMORIAL HUBERTO ROHDEN D O C U M E N T O
D e c l a r a ç ã o
Eu vivi quase 88 anos; 88 anos, os quais, estou devendo a Deus. Mas eu não vivi todos esses anos inutilmente, jogando fora a minha vida em prazeres e divertimentos. Eu consegui fazer uma coisa que parecia impossível. Eu realizei 4 coisas importantes para mim e para a humanidade: 1) A fundação e implantação do ashram (de Jundiaí - São Paulo), que compreende o Santuário e as demais instalações para o condigno funcionamento dessa Casa de Retiro Espiritual; 2) A criação e a consolidação da Casa Editora, através de um aluno meu, que se serviu de mim, dedicadamente, para, através de livros, divulgar a Filosofia Univérsica, por todo o Brasil e Portugal. Graças a Deus tive forças para poder realizar e fazer realizar esse trabalho necessário e que é o fundamento da minha vida como professor e autor de livros. Penso que neste trabalho está o futuro da “Alvorada”, pois milhares de pessoas frustradas que necessitam de orientação espiritual poderão encontrar-se a si próprias, gerações por gerações. 3) Agradeço a Deus por ter podido, com a colaboração da diretoria da “Alvorada”, alunos e amigos, construir a Sede da “Alvorada”, em São Paulo, com suas congêneres em outros estados do Brasil, que funcionarão como apoio ao ashram e à Casa Editora. 4) Agradeço a Deus por ter podido realizar, nestes meus quase 88 anos de vida, neste planeta Terra, as condições para muitos alunos e alunas meus – que eu não posso declinar os nomes em público – encontrarem o verdadeiro caminho para sua própria auto-realização e felicidade. Dentre estas pessoas cito apenas a minha aluna Maria Amélia Rangel que, por mais de 15 anos esteve em meus cursos, conferências, retiros espirituais e períodos de meditação e que hoje se encontrou, sendo um exemplo para todos.
Declaro que estas 4 coisas que realizei na minha vida, me dão a mais justificada serenidade. Eu estou pronto para partir. Não vivi inutilmente. Deixo os meus amigos em Paz, desejando a todos a mesma Paz em Cristo, hoje e sempre.
São Paulo, 5 de junho de 1981.
Onde estão os alunos, os leitores, os admiradores de Huberto Rohden, que unidos num só coração e uma só alma possam edificar o verdadeiro Memorial Huberto Rohden? Que maior bem eles poderiam deixar à humanidade?
O canto do Cisne
O CANTO DO CISNE Era encerramento do ano letivo. Havia uma atmosfera de lúcida onda de paz e tranqüilidade, naquele encontro do dia 25/11/80. Aliás, o ambiente da sala, como sempre, mantinha um ar respeitável, introspectivo e acolhedor, pois, a presença do Professor sempre elevava o astral das pessoas e do lugar. Minha colaboração consistia em anotar as presenças, receber as contribuições e dar informações necessárias aos visitantes, sempre bem-vindos. Naquele dia eu ouvia atentamente a preleção do Professor, numa leve premonição de que aqueles momentos nos seriam tirados em breve. A platéia, como sempre ouvia em silêncio, sem perguntas. Não era necessário perguntar porque Rohden parecia adivinhar nossas dúvidas e as respondia enquanto falava. O tema desta noite foi: “Alvorada para consciência cósmica” - título que ele dava à Instituição por ele fundada. Foi breve. Em meia hora, o orador resumiu em poucas palavras o que ensinou ao longo desta sua existência. Ele não se achava propriamente autor da Filosofia Univérsica, apenas deu nome ao que já existia em todos os paises cultos da Europa e dos Estados Unidos. Movimentos similares entre a elite espiritual, vigorava com outros nomes como: Novo Pensamento, Nova Perspectiva, Auto-realização... Falou sobre a sede urbana da Alvorada, que fica ali, naquele mesmo lugar, no alto do Sumaré, onde podiam reunir até 100 pessoas. Falou também do Ashram, sede rural, própria para os retiros silenciosos, em Jundiaí. Falou da maravilhosa palavra portuguesa: “Universo” – que traduz o significado preciso da idéia de Deus e da creação. Falou dos conceitos de essência e existência, da meditação – imprescindível para conscientizar a presença real de Deus, da Alma do Universo, como diria Spinoza. Ressaltou a importância desta prática para a verdadeira felicidade do homem. Felicidade não é gozo, explica. O homem que a descobre não tem medo de nada, nem da morte. A transição do corpo material para o corpo astral não é morte, e quem entende isto, mantém tranqüilidade ao enfrentar este aparente drama da vida. Com entusiasmo Huberto Rohden pediu que todos se levantassem para cantar o Hino da Alvorada. Nas duas primeiras estrofes, que mencionam o coração, pediu que todos colocassem a mão no coração. E na estrofe final, que fala de amizade fraterna, que todos acompanhassem num gesto de dar as mãos aos vizinhos. Diz a lenda que o cisne canta alegremente para morrer, daí, a expressão canto do cisne para a última obra de arte do artista. Assim também, este genial artista da palavra oral e escrita, encerra com um canto sua brilhante carreira. Junta sua voz à dos alunos, na canção de seu ideal:
Alvorada luz divina
Todos batem palmas... Dr. Homero Silva, vice-presidente, toma a palavra e diz que aquelas palmas significam “muito obrigado, Professor”. Não diz, Mestre, pois, Rohden na certa retrucaria: “Não sou mestre de ninguém, e sim, discípulo de todos”. Continua... ‘Vamos agora, em homenagem ao Professor, apresentar uma mensagem de arte, linguagem eterna, permanente e sempre edificante que é a música’. Duas flautas doces, instrumento milenar, são habilmente executadas, num concerto, por dois jovens artistas, ambos com 19 anos: Flávio Stein de Lima Souza e Plínio da Silva. *** Depois desta reunião Huberto Rohden ainda dirige uma meditação no Natal. Depois deixa o cenário da vida pública para enfrentar o calvário da doença que o levou de nosso convívio. Na memória dos alunos presentes naquele último encontro ecoam ainda as palavras vivas do mestre, com certeza. A voz de Rohden está gravada nessa aula, para a posteridade, agora transformada em cd.
Íris Helena Gomes MIRANTE DO VALE
MIRANTE DO VALE
Huberto Rohden escreveu sua autobiografia no livro “Por um Ideal”, publicado em 1962 – e não atualizado durante os 19 anos seguintes até sua morte em 1981. Neste período alguns depoimentos de alunos, algumas cartas de leitores e alguns episódios interessantes contados pelo escritor foram publicados no livro: “Luzes e Sombras da Alvorada”. Vale lembrar aqui algo de minhas vivências na construção de um setor da Alvorada - centro de auto-realização. Trata-se de minha participação numa das realizações citadas por Huberto Rohden em seu documento-declaração: a edificação da Casa Editora. Com a retirada das aulas de economia doméstica das escolas públicas, onde eu lecionava, brilhou uma nova luz no meu caminho quando me decidi dedicar metade do meu dia a uma tarefa que promovesse meu próprio aperfeiçoamento e auto-realização. Nada melhor que escolher a Alvorada de Rohden. Grande oportunidade! A casa Editora Alvorada já tinha sido fundada por iniciativa do Sr. Martin Claret com orientação do mestre e estava se estabelecendo com apoio de colegas e campanhas para levantar fundos. Quando entrei neste trabalho ela se chamava “Fundação Alvorada para o Livro Educacional” e já tinha uma sede fixa: o atual Edifício Mirante do Vale, maior prédio do Brasil com seus 51 andares. Pude ali colaborar durante seis anos. Enfim Huberto Rohden concretizava um sonho! A essa altura da vida parece ter Rohden atingido o topo de seu Everest como escritor: ter um meio específico de divulgação de sua palavra escrita dentro da linha filosófica que advogava, sem nenhuma restrição. Era mesmo um grande presente divino para este livre pensador. Uma energia férrea contagiava o editor e a todos, e agia como numa construção: alicerces profundos... Ferro e concreto, tijolo e tijolo... E muito trabalho. Passava eu ali trabalhando, no 20o andar, sala 2001 e 2003, pouco abaixo do meio do prédio, uma bela vista para o Vale do Anhangabaú - e podia ter mais contato com o Sr. Claret, os livros, os leitores e o próprio escritor que nos contemplava com uma visita semanal. Ele aproveitava a vinda ao correio onde retirava correspondência na caixa postal 1025. Daí Rohden subia até nós, imaginem, trazendo endereços de seus leitores, muitas vezes com pedidos de livros. Sempre tinha um ensinamento a nos dar! Nos últimos anos confiou-me a chave de sua caixa postal. Eu podia abrir sua correspondência, responder àquelas de minha competência. Minha parcela de contribuição coincidiu com uma aceleração na divulgação da mensagem de Rohden. Foi nesta fase que Huberto Rohden pôde ser visto pelos telespectadores da TV Bandeirantes, todas as tardes de terças feiras no programa Xênia e Você. Alguns momentos de entrevista - e a sabedoria de Rohden chegava até as donas de casa e a todos que não podiam sair de casa para assistir às palestras. Sei de crianças, hoje adultas que o ouviam atentas para surpresa de suas avós e até hoje não se esquecem desses imperdíveis encontros. Pena que o vídeo-cassete ainda não estivesse em voga! Como seria bom possuirmos esses registros! A vida tem suas fases. Tudo passa! Como um rio que corre - não se pode banhar nas mesmas águas - também nos movemos com novas experiências rumo ao grande Mar. Não podemos nos esquecer das águas passadas, pois elas ajudam a manter viva nossa memória. São ricas experiências que precisam ser lembradas, pois histórias e histórias se repetem e sempre podemos tomar lições com elas. O Mirante do Vale continua lá, em meio a outros prédios da Paulicéia. Agora, mais moderno, com uma bela vista para o Anhangabaú! Árvores verdes alegram o vale. Isolada da praça há outro sorriso de vida! Um ipê roxo floresce deslumbrantemente no momento em que escrevo, indiferente à poluição. É um colírio para os olhos dos pedestres que atravessam a nova passarela da movimentada Avenida Prestes Maia. A árvore fica do lado oposto da rua, pouco acima da entrada principal do prédio.
É oportuno este lembrete de um e-mail que recebi!
Íris Helena Gomes Construção do Santuário do Silêncio
Construção do Santuário do Silêncio - para meditação, na Casa de Retiro Betânia (Ashram de Jundiaí). Este trabalho foi todo artesanal. As pedras brutas transportadas da pedreira por caminhão foram quebradas uma a uma à mão.
“As coisas difíceis são para os heróis” Huberto Rohden
Quando nós íamos construir este santuário aqui, todo de pedra e granito, no ano 72 e 73, andei procurando um pedreiro que fizesse isso. Eu tinha feito a planta toda no papel, mas estava só no papel. Ninguém queria construir este santuário porque é feito de pedra bruta. Todas as pedras são desiguais. Os pedreiros me diziam: “Não é possível, todas as pedras desiguais...” por nenhum preço do mundo queriam aceitar. Finalmente, um pobre japonês que eu conhecia, que vinha lá de Minas Gerais e tinha sido empregado do sitio... – eu disse a ele: “Escute, você que entende um pouco de pedreiro, estou procurando alguém para fazer isto”. Ele disse: “isto é horrivelmente difícil, por isto é que eu vou fazer”. Que coisa estranha! Os outros diziam: “isto é muito difícil, por isso eu não vou fazer”. Finalmente eu encontrei um que destoava de todos e disse: “É muito difícil, eu sei... por isto mesmo é que eu vou fazer”. Ele com o filho dele de 14 anos fizeram isto aqui em um ano e meio. Eu dirigindo, mas eles fazendo. Todo mundo que vem aqui diz: “como é que se pode fazer isto? Uma cúpula toda de pedra - isto não vai cair em cima da gente?” Eu digo: “Não, não..., está bem seguro”. E as paredes com pedras todas desiguais...– e debaixo da terra nós temos um alicerce de 2 metros – também todo de granito. 2 metros para dentro da terra!... Tem 45 colunas de cimento armado apoiando. Este herói diz: “as coisas fáceis são para os covardes, mas as coisas difíceis são para os heróis”.
(texto extraído de uma gravação realizada durante retiro espiritual)
Por que não morri
Por que não morri?
No livro “Luzes e sombras da Alvorada” Huberto Rohden faz um curioso relato duma experiência vivida: “Porque não morri em 1963”. Quem não leu vale a pena ler, porque não me atrevo a resumir o texto da bela linguagem rohdeana Nessa época eu não conhecia Rohden, mas, tive oportunidade de ouvir dele, pessoalmente, esta comovente narração. Um outro acontecimento semelhante ocorreu com Rohden lá pelo início dos anos 70, depois que ele já tinha aprovado e iniciado a casa Editora Alvorada, na pessoa do Sr. Martin Claret (uma de suas realizações) e construído algumas casinhas para retiro no seu sítio Nirvana doado à Alvorada. Alguns amigos do Rio de Janeiro que compartilharam conosco esse testemunho devem se lembrar bem da data precisa do que vou narrar. Rohden se encontrava em um hotel preparando seu retorno a São Paulo depois de uma de suas habituais palestras de fim de semana no Rio. Esperava por um aluno que o levaria ao aeroporto quando começou a se sentir mal. Não tardou o aluno chegar e encontrá-lo na cama, incapaz de se levantar, esvaindo em sangue. Era uma hemorragia estomacal ou intestinal que não sei bem explicar. Levado imediatamente ao hospital e medicado, uma junta médica lhe deu três horas de vida. Estava totalmente desenganado! Surpreendentemente, Rohden sobreviveu. E ficou alguns dias em tratamento no Rio. A notícia chegou aos alunos que regularmente freqüentavam suas palestras às terças feiras na antiga sede da Alvorada, na Rua Conselheiro Crispiniano, em São Paulo. Felizmente nos chegou quando o perigo maior já tinha passado. Ainda era muito cedo para ficar sem Rohden, pensei, quando lá estive com os poucos colegas reunidos que também nada sabiam. Fizemos nossas preces e meditações em prol de sua recuperação. Voltando a São Paulo Rohden ainda passou uns dias em convalescença sob os cuidados de sua dedicada aluna D. Amélia. Foi uma alegria vê-lo de volta, quando retornou suas atividades... E os alunos presentes na primeira aula ouviram dele o que se passou naqueles momentos em que estava submerso entre as fronteiras da vida e da morte. Resumindo ele disse: “Quando eu estava entre a vida e a morte, as forças cósmicas me revelaram que ainda não era minha hora de partir, pois ainda não tinha cumprido minha missão nesse mundo. Eu tinha que construir o Santuário do Silêncio para as meditações do retiro...” E sua aula girou em torno desse assunto.
Compreendendo a razão porque tinha sobrevivido à tempestade que foi submetido, Rohden começou a colocar em prática seu projeto. Embora não encontrasse muito apoio dos membros da Alvorada, não mediu esforços para essa causa que já tinha idealizado. O primeiro passo foi organizar um grupo de meditação em sua casa às segundas feiras com alunos dedicados, o que lhe fortaleceu as energias para o difícil empreendimento. Eu fiz meu primeiro retiro na semana santa de 1972 coincidindo com a consagração do lugar e colocada a pedra fundamental. Daí dois anos estava pronto o “Santuário do Silêncio”. Huberto Rohden pôde dirigir muitos retiros ainda, usando este maravilhoso templo de granito, de pedras do Gênesis, como dizia. Alunos de todas as partes do Brasil se locomoviam para Jundiaí a fim de participar desses inesquecíveis encontros. Rohden ainda pôde construir para a Alvorada a nova sede no terreno em frente sua residência no Sumaré, Rua Alegrete, 72... E viveu entre nós por mais... Quase 10 anos...
Íris Helena Gomes
Celebrando os 114 anos de nascimento de Huberto RohdenCelebrando os 114 anos de nascimento de
· Na minha Divindade, sou sem nascimento nem morte, eterno e senhor de tudo que nasce e existe; e, contudo, os meus deuses nascem, vêm e vão. Ao efêmero reflexo no espelho da Natureza imprimo o sigilo da minha Divindade, pela alta magia do meu espírito. · Toda vez que a ordem morre e a desordem impera, torno a nascer em tempo oportuno – assim o exige a Lei. · Para proteger o bem e destruir o mal, encarno no seio da humanidade, ensinando o caminho que leva à auto-realização. Krishna: Bhagavad Gita (cap. 4 – 6, 7, 8)
Apareceu um homem, entre esses milhões de habitantes terrestres... E esse homem veio tornar-se o centro da história da humanidade. Pelo ano do seu nascimento, todos os povos cultos datam a nossa cronologia... 2007 anos. Vivem por ele e para ele os melhores dentre os filhos dos homens – porque nesse homem, adoram o homem ideal, o homem Deus...
Apareceu um homem, entre bilhões de habitantes terrestres... E esse homem figura entre os melhores dentre os filhos dos homens... Viveu 87 anos para o homem ideal, o homem Deus...
Erguidos às alturas esses homens imortais são uma bênção para o mundo inteiro. Dia 25 de dezembro celebramos o nascimento humano de Jesus, o Cristo. Dia 30 de dezembro celebramos o nascimento de Huberto Rohden.
Celebremos essas datas com júbilo na quietude de nosso silêncio interior e comunguemos com o espírito desses grandes homens! Cantemos com o coro de anjos, exultemos com a natureza em festa:
No Pensamento na voz de Huberto RohdenNO PENSAMENTO E NA VOZ DE
HUBERTO ROHDEN
Durante os últimos anos da vida de Huberto Rohden, o gravador de fita K7 era comum, tornando fácil o registro ao vivo das palestras. Conservei um bom arquivo dessas preciosidades e sendo as fitas deterioráveis, acabo de transformá-las em cds. Para ser precisa meu arquivo compõe de 79 cds - sendo palestras e cópias de antigos Lps. Estou fazendo também um trabalho de transcrição das palestras em apostilas, inserindo os gráficos explicativos que Rohden ilustra suas aulas. Divulgando este trabalho, muitos internautas simpatizantes da Filosofia Univérsica já se interessam por cópias – alguns especiais já possuem todo meu arquivo. Para estes recomendo que ouçam a voz de Rohden, sintam sua presença, mas procurem vivenciar aos poucos sua mensagem. Toda aprendizagem, mesmo a espiritual deve ser dosada. Neste intuito, meu arquivo continua à disposição para cópias aos interessados. Crescem cada vez mais as reflexões sobre o porquê da existência – assunto muito abordado nas palestras, e tão antigo em todas as civilizações antigas e modernas. Acredito que nossa tecnologia pode ser bem aproveitável para o aprimoramento individual que transborda em benefício de toda humanidade. Quem se interessar pelas cópias escreva para:
Íris Helena GomesCelebra o teu natal - de dentro!
Quantas vezes, meu amigo, celebraste o Natal de fora? O Natal litúrgico de 25 de dezembro de cada ano? 20, 30, 50 vezes em tua vida? Foi um verdadeiro Natal – ou apenas um pseudo-Natal? Foi um Natal – ou foi o teu Natal? Foi como um fogo pintado na tela – ou foi um fogo real, cheio de força, luz e calor? Natal sem natalidade não passa de ilusão e mentira... Que quer dizer Natal onde não haja nascimento do Cristo? Nasceu ele, é verdade, há 2000 anos, na gruta de Belém – mas não nasceu na gruta de teu coração. Foi reclinado na singela manjedoura de palha – mas podes tu dizer em verdade: já não sou eu que vivo, o Cristo é que vive em mim? Ainda que mil vezes nasça Jesus em Belém – se não nascer em ti, perdido estás... A árvore de Natal que costumas armar em tua casa é bem o símbolo inconsciente do teu pseudo-Natal interior: árvore sem raízes, morta ou moribunda, ostentando lindos enfeites de papel sem vida, frutinhas ocas de celulóide inerte – não é isto que é a tua vida espiritual? Quanto tempo pretendes ainda “brincar de Natal” – sem celebrar um verdadeiro Natal, um dia natalício do Cristo em ti? Por que toda essa camuflagem e insinceridade diante de ti mesmo? Por que não retificas, enfim, todas as tortuosidades da tua vida? Por que não pões ponto final a toda essa política e diplomacia curvilínea do teu egoísmo e inicias, finalmente, uma vida retilínea de absoluta verdade, honestidade e amor universal? Quando permitirás que nasça em ti o Redentor – ele, o Caminho, a Verdade e a Vida? Não imaginas, meu amigo, o que viria a ser para ti esse Natal externo do ano litúrgico, se, de fato, celebrasses o Natal de tua alma. Não imaginas o que de te diriam a gruta, a manjedoura, os anjos do céu e os pastores da terra, se em ti acontecesse o glorioso simbolizado de que esses fatos históricos são o símbolo longínquo e vago. Não imaginas em que nova luz de compreensão te apareceria o Cristo do Evangelho se dentro de ti nascesse o Cristo da tua experiência intima, do teu encontro pessoal com Deus. Se o Cristo fosse para ti, não apenas um artigo de fé aridamente crido – mas uma estupenda realidade intensamente vivida. Se o Cristo vivesse em ti e tu vivesses no Cristo, ou antes, se fosses vivido pelo Cristo – que vida abundante seria a tua... Não caberias em ti de tão feliz – e a tua exuberante felicidade em Cristo transbordaria em amor e benevolência para com todos os irmãos de Cristo em derredor... A própria natureza inconsciente receberia um reflexo desse transbordamento de amor e felicidade – e, como Francisco de Assis, ébrio de Deus, contarias e cantarias as glórias divinas às pedras e às plantas, às aves e aos peixes, ao sol, à lua e às estrelas... Convidarias até à “irmã Morte” para entoar louvores ao Pai celeste. Se tivesses celebrado o teu Natal de dentro, se o Cristo tivesse nascido em ti e em ti vivesse, seria a tua vida uma gloriosa ressurreição – e os anjos da Páscoa confundiriam as suas vozes com os anjos de Belém, cantando hosanas e aleluias, glória a Deus nas alturas e paz na terra aos homens, em todos os caminhos da sua existência – mesmo por entre as sombras da morte. Celebra o teu verdadeiro Natal, meu amigo – e saberás o que o Cristo significa para ti e para todos os que o recebem e vivem nele... “Renascidos pelo espírito”... “Feitos novas creaturas em Cristo”... Círculo de Meditação Alvorada
A prática da verdadeira cosmomeditação é indispensável para a felicidade do homem. A melhor hora para meditar é sempre de manhã cedo, antes de iniciar qualquer trabalho. Quem não pode meditar de manhã cedo, medite à noite, antes de dormir, mas cuidado, quando alguém está muito cansado, depois dos trabalhos diurnos, é difícil fazer verdadeira meditação, porque a meditação é um trabalho muito sério. Acrobacia mental ou cochilo devocional não é meditação. (palavras de Huberto Rohden)
Na instituição Alvorada, dirigida por Huberto Rohden, havia um horário destinado à meditação coletiva – lembrando a recomendação do Divino Mestre: “Quando dois ou três estiverem reunidos em meu nome, eu estarei no meio deles”. Estes momentos silenciosos em companhia do dirigente e colegas ofereciam ao meditante uma grande fonte de energia para a subseqüente lufa-lufa diária.
Dando continuidade a esta prática coletiva, os simpatizantes da Filosofia Univérsica se unem em espírito, embora separados geograficamente, numa hora de meditação coletiva, no mesmo horário em que Rohden ultimamente dirigia a meditação na Alvorada. Às segundas feiras – às 20:30 h – (horário de Brasília). Há grupos também que se reúnem neste horário para esta prática em diversos lugares do Brasil e de Portugal.
Assim os amigos, do mundo inteiro mesmo à distância, podem sintonizar nesta corrente de união. É também uma forma de nos incentivarmos a não descurar este aspecto importantíssimo da nossa vida, de criarmos períodos freqüentes de pausa e silêncio.
Em memoriarohden, convidamos todos os amigos, leitores e praticantes de meditação, independentes de religião ou credo, que se unam a nós nestes momentos tão salutares.
Lembrando: Todas as segundas feiras - às 20:30 h – (horário de Brasília) – estamos presentes em espírito. |
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